Há alturas na vida em que a confusão de sentimentos abala as estruturas do pensamento lógico e racional. A forte corrente que nos empurra para atitudes menos ponderadas é forte e, por vezes, inevitável. Procuramos muitas vezes o consolo num acto irreflectido, que vai provocar dor em alguém que não merece, alguém que já sofre demais com a sua própria condição existencial. É esta natureza egocêntrica que domina a nossa mente...
Na hora da decisão, tomamos a direcção mais fácil, aquela que se apresenta como a mais consoladora no imediato, mesmo que tenhamos a certeza de que iremos saír a perder, por vezes de forma irreversível. Atropelamos inexoravelmente a confiança daqueles que um dia já passaram descalços por cima do copo partido em nossa defesa e que, cegamente confiam na nossa integridade moral.
É desconcertante o quão baixo descemos e, então é perceptível a insignificância dos nossos (hipotéticos) valores morais.
Se, antecipadamente, sabemos que nos vamos dar mal, que vamos ferir alguém...então porque seguimos em frente, até ao abismo? Não servirá a razão, como freio contra um movimento desvairado rumo à angústia e ao remorso?
Assim não é...infelizmente!